O ex-piloto de Fórmula 1 Satoru Nakajima atraiu uma multidão no Museu Ferroviário de Kyoto durante o evento “Racing & Railway History”, que colocou lado a lado duas máquinas icônicas: o Lotus Honda 99T, seu carro de estreia na F1, e o Shinkansen Série 500. O ponto em comum? Ambos utilizam sistemas pioneiros de suspensão ativa.
A exposição nasceu após um pedido direto do curador Takahiro Kitano, que buscava realizar o improvável: colocar um trem-bala e um carro de F1 no mesmo salão. O encontro das duas tecnologias rendeu conversas sobre inovação — e também memórias tensas da carreira de Nakajima.
O piloto admite que ficou surpreso ao descobrir que o trem japonês também utilizava suspensão ativa. “É impressionante ver como diferentes áreas tentam avançar. A ideia não é apenas evoluir, mas buscar evolução. Isso é extraordinário”, disse.
Nakajima, entretanto, conhece bem o lado crítico da tecnologia. Durante os treinos do GP do Brasil de 1987, no que seria sua estreia na F1, um vazamento de óleo derrubou a suspensão ativa por completo.
“Ficou como um trenó. Eu deslizava sem controle, sem freio. Foi assustador”, recordou.
O carro acabou deslizando pela grama antes de parar. Segundo ele, se o problema tivesse ocorrido no fim de uma longa reta, “não dá nem para imaginar o que teria acontecido”.
Após o incidente, a equipe instalou molas convencionais como segurança extra. “Poderiam ter feito isso desde o começo”, ironizou.
Nakajima também comentou a importância de levar eventos automobilísticos para locais além dos autódromos. “Nem todo mundo pode ir ao circuito. Ir até o público é essencial.”
Fonte / Foto: Motorsport.com



